CRECI alerta para riscos no mercado imobiliário e cobra denúncias após sucessivos casos de fraudes em Feira de Santana
Por: Mayara Nailanne
Diante do aumento de denúncias envolvendo negociações imobiliárias irregulares em Feira de Santana e região, o delegado do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (CRECI), Joilson Nunes, fez um alerta público sobre a responsabilidade dos profissionais do setor e a necessidade de maior atenção por parte da população antes de fechar qualquer negócio.
As declarações foram dadas após a repercussão de investigações policiais que apuram golpes imobiliários na cidade, entre eles o caso da corretora Valdiane Lima Souza e Santos, de 52 anos, presa durante a Operação Arizona. O delegado destacou, no entanto, que o foco do CRECI não é a prisão em si, mas a prevenção, o cumprimento do código de ética e a formalização das denúncias.
“O corretor de imóveis é intermediador de sonhos. As pessoas colocam o patrimônio de uma vida inteira nas mãos de alguém sem sequer pedir a credencial profissional. Isso é extremamente perigoso”, afirmou Joilson.
Segundo o delegado, todo corretor, ao se formar, faz um juramento e assume o compromisso de cumprir o código de ética da profissão. A primeira obrigação, conforme explicou, é a apresentação do registro no CRECI, além da comprovação de que o empreendimento anunciado possui registro de incorporação, documento que funciona como a “identidade” do imóvel.
“Não basta boa intenção. Sem registro de incorporação, o negócio pode até começar de forma legal, mas lá na frente travar no cartório. Quem fica com o prejuízo é sempre o comprador”, alertou.
Joilson Nunes esclareceu que o CRECI é um conselho fiscalizador, e não um sindicato ou entidade de defesa automática do consumidor. Por isso, sua atuação só ocorre quando há denúncia formalizada.
“O CRECI só pode agir quando é provocado. A pessoa precisa ir à delegacia, registrar ocorrência e também formalizar a denúncia na ouvidoria do conselho. Sem isso, não há como abrir processo”, explicou.
De acordo com ele, quando comprovadas irregularidades, o corretor pode sofrer advertência, suspensão ou até cassação do registro profissional, considerada a penalidade máxima.
Outro ponto destacado foi o crescimento da oferta de imóveis por meio das redes sociais, muitas vezes sem o cumprimento das exigências legais.
“Todo anúncio precisa ter o número do CRECI do corretor responsável. Seja no Instagram, WhatsApp ou Facebook, isso é obrigatório. A ausência dessa informação já é infração”, disse.
O delegado também chamou atenção para a oferta equivocada de consórcios imobiliários, prática que, segundo ele, tem confundido consumidores.
“Consórcio é legal, mas não pode ser vendido como se fosse um imóvel. Primeiro vem a carta de crédito, depois a aquisição. Misturar isso é enganar o cliente”, afirmou.
Por fim, Joilson Nunes orientou a população a desconfiar de facilidades excessivas e a sempre exigir documentação antes de qualquer pagamento.
“Peça o CRECI, peça o registro do empreendimento. Se algo parecer errado, denuncie. Só assim conseguimos proteger o mercado e evitar novos prejuízos”, concluiu.
A Ouvidoria do CRECI recebe denúncias e é obrigada a dar retorno em até 72 horas. O telefone é (71) 9 8123-3540.




