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Caso Marcelinho: os fatos gritam e a Justiça precisa, urgentemente, escutar

Foto: Arquivo Pessoal

Quatro anos se passaram e a justiça ainda tropeça no caso de Marcelo Felipe Guerra dos Santos Rocha, o garoto de 18 anos morto por policiais militares em uma blitz do Pelotão Asa Branca realizada em 1º de abril de 2022, no Centro de Feira de Santana.

Segundo as investigações, depois que puxaram o gatilho, também tentaram puxar uma narrativa falsa: a velha história da “troca de tiros” na tentativa de justificar o injustificável.

Mas a verdade começou a aparecer. Laudos, depoimentos, câmeras, investigação… e toda a narrativa começou a cair por terra a cada nova descoberta.

Uma coisa é certa. Os fatos são graves e estão nos autos. Segundo o Ministério Público, Marcelinho foi morto por motivo fútil após uma perseguição policial, desarmado e sem oferecer qualquer tipo de resistência. Os laudos periciais indicam tiros pelas costas. E, diante de provas da materialidade e indícios suficientes de autoria, a própria Justiça determinou em janeiro deste ano que os 2 policiais acusados de executarem Marcelinho devem ir a júri popular.

Mas o tempo, esse velho aliado da impunidade, segue correndo. Recursos se acumulam. Datas não são marcadas. E o que deveria ser um rito de apuração vira um corredor de adiamentos. E é aqui que o absurdo ganha forma: no Brasil, a mentira corre como se estivesse em pista livre. Já a verdade parece enfrentar um longo engarrafamento.

Por outro lado, é preciso dizer com todas as letras: farda não é salvo-conduto para crime. Logo, usá-la como escudo para abuso é trair a própria função que diz defender.

A Polícia Militar é uma instituição séria e essencial, formada por homens e mulheres que arriscam a vida diariamente para proteger tantas outras. Por isso, a farda representa autoridade, mas não autorização. Representa proteção, mas não licença para agir fora da lei. E quando alguém se esconde atrás dela para cometer um crime (e depois tenta sustentar uma narrativa que não se sustenta) o dano é duplo: à vida que se perde e à confiança que se quebra.

Mas aqui há resistência e mesmo 4 anos depois, há uma mãe que segue transformando o luto em luta se recusa a permitir que o nome do filho vire mais uma estatística. Daniela Guerra não luta apenas por justiça, ela luta por memória. Luta para que Marcelinho não seja reduzido a uma nota de rodapé de jornal em página policial.

Mesmo no meio de tanta dor, ela faz o que muita gente já desistiu de fazer: acredita que a justiça ainda pode acontecer. Por isso, a mãe de Marcelinho não pede privilégio. Pede o básico: julgamento justo. Pede que o caso saia do papel e vá para onde deve ir: o Tribunal do Júri.

Isso porque, num país onde tantas mães enterram seus filhos e depois ainda precisam defendê-los da mentira, o mínimo que se espera é celeridade, seriedade e compromisso com a verdade.

O Conectado News, todavia, não condena antes da hora. Mas também não aceita esse teatro lento, onde a verdade fica esperando enquanto versões já desmentidas nos autos continuemno imaginário popular.

Justiça por Marcelinho!

Mayara Nayllanne

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