Advogados da família de Jéssica defendem punição exemplar em júri sobre feminicídio que chocou Santo Estêvão
Há poucos dias do julgamento de um dos casos de feminicídio mais chocantes da Bahia nos últimos anos, os advogados Martini Velloso e João Velloso — ambos com grafia do sobrenome com LL — representantes da família de Jéssica Regina Macedo do Carmo, reforçaram a expectativa por justiça e a aplicação rigorosa da lei. A jovem foi morta a tiros em fevereiro de 2022, no município de Santo Estêvão, quando estava grávida de nove meses.
Grávida, a uma semana de dar à luz Heitor, Jéssica foi morta com um disparo de espingarda calibre 12 pelas costas, após uma discussão com o companheiro, segundo denúncia do Ministério Público. O bebê, que já tinha quarto montado e pesava cerca de 3,8 quilos, também morreu. A jovem deixou ainda uma filha órfã de mãe.
O réu é George Passos Santana, que também já foi conhecido politicamente como “George Breu”. Ele está preso no Conjunto Penal de Feira de Santana e responde por feminicídio, aborto provocado por terceiro e posse ilegal de arma de fogo. O julgamento será realizado pelo Tribunal do Júri em Feira de Santana, após o desaforamento do processo.
Durante entrevista, Martini Velloso destacou que o caso deve ser analisado à luz da legislação atual, que prevê penas mais severas para o crime de feminicídio, podendo chegar a até 40 anos de prisão quando há agravantes, como vínculo afetivo e menosprezo à condição de mulher. Segundo a advogada, a família busca justiça dentro dos parâmetros legais, e não vingança.
João Velloso ressaltou que caberá ao Tribunal do Júri analisar as provas reunidas no processo e decidir com base na verdade dos fatos. Ele também se dirigiu à população de Santo Estêvão, pedindo confiança na condução do julgamento e afirmando que o júri ocorrerá com segurança jurídica.
Os advogados reforçaram ainda que o caso simboliza uma realidade enfrentada por muitas mulheres vítimas de violência de gênero. Para eles, a maior visibilidade desses crimes está relacionada ao aumento das denúncias e à conscientização sobre os direitos garantidos por lei.
O julgamento é aguardado com forte comoção pela família e pela comunidade, que esperam que a decisão represente não apenas justiça para Jéssica Regina Macedo do Carmo e seu filho, mas também um posicionamento firme contra a violência contra a mulher.




