Trabalhadores de rede de supermercados Atakarejo realizam paralisação parcial em Feira de Santana
Trabalhadores de uma grande rede de supermercados realizaram uma paralisação parcial das atividades na manhã desta segunda-feira (22), em Feira de Santana. O ato foi organizado por funcionários com o apoio do Sindicato dos Comerciários e teve como principal objetivo cobrar melhores condições de trabalho, reajuste salarial e o cumprimento de direitos trabalhistas, que, segundo a categoria, estariam ameaçados nas negociações em andamento com o setor supermercadista.
A mobilização aconteceu na Avenida José Falcão e foi acompanhada pelo programa Levante a Voz, da Rádio Sociedade News 102.1, em parceria com o site ConectadoNews.com.br. Mesmo com a suspensão parcial das atividades, os manifestantes destacaram que o movimento ocorreu de forma pacífica, sem bloqueio total dos serviços, respeitando clientes e trabalhadores.

Durante a paralisação, clientes que estavam no local demonstraram compreensão com o movimento. A dona de casa Márcia da Luz Lima avaliou positivamente a iniciativa dos trabalhadores.
“Eles trabalham muito e precisam ser reconhecidos. Muitos são pais de família e não têm seus valores devidamente respeitados. Eu acho que a manifestação é válida”, afirmou. Questionada sobre o impacto no atendimento ao público, ela reforçou: “Mesmo atrapalhando um pouco a vida do cliente, é um momento válido”.

Representando os funcionários, o comerciário Idéilson Filho relatou dificuldades enfrentadas no dia a dia de trabalho. Segundo ele, além da falta de reajuste salarial, há preocupação com a retirada de direitos já conquistados.“Eles não querem dar o aumento que a gente reivindica e querem tirar feriados, como o Primeiro de Maio. A gente trabalha muito e desse jeito fica complicado”, disse.
Idéilson também denunciou problemas relacionados à jornada de trabalho.
“Tem hora que forçam a gente a passar do horário permitido por lei. Muitos ficam com medo de perder o emprego. Trabalhar em feriado e domingo sem o devido respeito não é justo. A gente não está mais na época da escravidão”, desabafou.

O presidente do Sindicato dos Comerciários de Feira de Santana, Antônio Cedraz, explicou que a paralisação foi motivada pela falta de avanço nas negociações com os supermercados após cinco rodadas de diálogo. “Não houve evolução. Pelo contrário, eles querem retirar direitos já adquiridos. Estamos pedindo no mínimo 8% de reajuste, enquanto a proposta deles é de apenas 5%. Isso não condiz com a realidade da inflação nem com o crescimento das redes”, afirmou.
Cedraz também destacou outras reivindicações da categoria, como o respeito à carga horária, pagamento correto de horas extras, fim de abusos no banco de horas e a concessão de benefícios como vale-combustível.“São redes que crescem, abrem novas lojas, mas continuam explorando o trabalhador. Queremos respeito e valorização”, completou.

O vice-presidente do sindicato, Delcio Mendes, reforçou que o movimento busca garantir dignidade aos comerciários.“As empresas querem aumentar a carga horária e não pagar um salário digno. O trabalhador sai estraçalhado no fim do dia. Nós estamos aqui para defender a saúde, os direitos e a valorização da maior categoria de trabalhadores que existe, que é a dos comerciários”, declarou.
Segundo o sindicato, a paralisação desta segunda-feira faz parte de um calendário de mobilizações, e novas ações devem ocorrer ao longo da semana em outras unidades de supermercados da cidade, até a próxima rodada de negociações, prevista para o dia 8.




