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Para um bom entendedor, meia palavra basta e uma vírgula é letra: os bastidores da política nacional

Jonas Pereira/Agência Senado

Por Hely Beltrão

Para um bom entendedor, meia palavra basta e uma vírgula é letra. Sempre digo a meus amigos bolsonaristas ou esquerdistas, que política deve ser analisada conforme dados e fatos e não conforme sua ideologia. Vamos aos últimos acontecimentos.

Água bateu na bunda de Trump

Como dizemos no popular quando a situação aperta, a “água bateu na bunda” de Donald Trump, que resolveu retirar, na quinta (20), as últimas tarifas impostas ao Brasil. O presidente americano vem enfrentando uma crise de impopularidade diante do eleitor americano e empresários que amargaram enormes prejuízos, além de inflação galopante. Trump também está passando maus bocados diante da iminência da exposição dos chamados arquivos de Epstein, onde a imprensa americana afirma que este era pedófilo e muito próximo a ele. Outro problema enfrentado pelo presidente americano é a paralisia do governo por falta de consenso com relação a votação do orçamento. Caiu também a narrativa do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e de Paulo Figueiredo. Veremos qual será a história agora.

O tiro saiu pela culatra

O deputado federal Eduardo Bolsonaro, Nicolas Ferreira (PL-MG) e até o senador Flávio Bolsonaro (PL-SP), tentando emplacar a narrativa da segurança pública, na qual a esquerda é muito ruim, foram a El-Salvador tentar encontrar o ditador de extrema direita Nayib Bukele. Porém, o máximo que conseguiram foi um encontro com um de seus ministros. Lembrando que o STF de lá é aliado ao governo, não existe imprensa livre, só existe um partido, o do presidente, e dizem as más línguas, que a violência no país caiu porque houve um acordo entre a facção da qual Bukele fazia parte para acabar com as outras, sendo que ela não cometeria crimes de roubo, furto entre outros. Não vou aqui criticar os métodos, deixo isto com vocês.

Vai concorrer a presidência ou não Tarcísio de Freitas?

Semana passada o governador do estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disse em entrevista a um produtor de conteúdo, que o Brasil só iria para frente após trocar o CEO, uma clara crítica ao governo do presidente Lula (PT). Mas, uma coisa que aprendi, é que devo arrumar primeiro minha cozinha, antes de criticar a do outro. Policiais militares e civis tem feito manifestações cobrando melhores condições de trabalho e salários, segundo eles, pautas prometidas em campanha. Nos bastidores da política paulista, também cogita-se uma “rebelião” de empresários do agro do interior do estado, que diz sentir-se abandonado pelo gestor. Será que em São Paulo, não há necessidade de trocar o CEO?

Calma esquerda, não é assim que a banda toca

Com a possibilidade de uma “rebelião” de empresários do agro paulista, que afirmam sentir-se abandonados por Tarcísio, algumas pessoas dentro da esquerda dizem enxergar a possibilidade de que o governador paulista perca a reeleição de 2026, caso dispute com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que segundo eles, é bem quisto pelo empresariado e se o governo federal der uma maior atenção a estes. Porém, como eu disse no início, política não deve ser analisada com paixão, mas com dados. Na cidade de São Paulo, há uma maioria progressista, porém, isso não acontece no restante do estado, de maioria bolsonarista, que muitas vezes não vota conforme a proposta do candidato, mas sim de acordo com a ideologia. Então, é muito cedo para dizer que Tarcísio perderá a reeleição em São Paulo, a qual, na minha opinião, está ganha.

Indicação de Messias ao STF

Como já era de se esperar, o presidente Lula indicou o advogado Geral da União (AGU), Jorge Messias ao STF (Supremo Tribunal Federal), falta agora marcar a data da sabatina. Muita gente não gostou, principalmente o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (UB-AP), que assim como a mídia, queria a indicação de Rodrigo Pacheco (PSD), afirmando que colocará em votação pautas prejudiciais ao governo. Tanto Lula quanto o ex-presidente Bolsonaro (PL) entenderam como funciona o jogo na questão das indicações e preferem por pessoas de sua inteira confiança, a exemplo do terrivelmente evangélico, André Mendonça e no caso do atual presidente, a última indicação Flávio Dino. André Mendonça afirmou que ajudará na aprovação de Jorge Messias, que é evangélico assim como ele.

2 + 2 é igual a 4, basta somar

O PL antifacção, projeto do governo que passou por 6 modificações do relator, o deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP), após intensa pressão popular nas redes sociais, teve retirado o artigo que impedia a investigação da Polícia Federal. Mas ele achou uma outra forma de prejudicar a PF: os bens apreendidos que antes iam para o fundo da instituição, devem agora ser divididos com o estado onde foi feita a apreensão. Um prejuízo de aproximadamente R$ 800 milhões de reais, segundo o sindicato dos policiais federais. Com vários integrantes da Polícia de São Paulo investigados por integrar o PCC (Primeiro Comando da Capital), presidentes de partido como o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e Antônio Rueda (União Brasil) citados em investigações da Polícia Federal, por que será que alguns tentam enfraquecer a instituição? Como eu disse 2+2 = 4, mas fiquem a vontade, a opinião é de vocês.

Hely Beltrão

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