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Justiça decreta falência da Oi: fim da gigante das telecomunicações no Brasil

Imagem: Reprodução/Oi

A Oi, que já foi símbolo do orgulho nacional e uma das maiores operadoras de telefonia do Brasil, teve a falência decretada pela Justiça do Rio de Janeiro. A decisão, publicada pela 7ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça, encerra quase dez anos de tentativas de recuperação judicial e confirma o colapso de uma empresa que um dia foi referência no setor.

Segundo a Justiça, a operadora acumula dívidas de R$ 1,7 bilhão, com um patrimônio considerado “esvaziado” e receitas que não cobrem os compromissos financeiros. Na decisão, a juíza Simone Gastesi Chevrand afirmou que “a Oi é tecnicamente falida” e que não há mais viabilidade econômica para manter a companhia funcionando de forma saudável.

Como a Oi chegou a esse ponto

De acordo com informações do TecMundo e da Agência Brasil, o que levou a Oi à falência não foi apenas o acúmulo de dívidas — mas uma combinação de más decisões, concorrência forte e perda de ativos estratégicos.

A história da crise começou ainda em 2016, quando a empresa pediu a primeira recuperação judicial com R$ 65 bilhões em dívidas. Desde então, passou a vender partes importantes do negócio para tentar se manter viva:

  • A telefonia móvel foi vendida para Claro, TIM e Vivo;
  • A rede de fibra óptica passou para a V.tal, controlada pelo banco BTG Pactual;
  • A Oi TV, serviço de TV por satélite, foi vendida em 2025 para a Mileto Tecnologia.

Além disso, a Oi deixou de ser concessionária nacional de telefonia fixa, perdendo obrigações e cobertura que antes mantinham sua presença em quase todos os municípios do país.

Outro fator importante foi a gestão instável: trocas constantes de presidência, aquisições malsucedidas, aumento da concorrência e dificuldade de adaptação ao novo modelo de mercado, mais focado em internet de fibra e menos em telefonia tradicional.

O que muda agora para os clientes

A decisão judicial determina que a Oi continue operando temporariamente, para não interromper serviços essenciais — como telefone, internet e números de emergência (190, 192 e 193).

Ou seja: os clientes não serão afetados de imediato. A Justiça e a Anatel garantem a continuidade dos serviços até que novas empresas assumam as operações.

Uma das principais mudanças já em andamento é a transição da Oi Fibra para a Nio Fibra, marca que nasce a partir da antiga estrutura da Oi e deve seguir atendendo milhões de clientes de internet em todo o Brasil.

Na prática, isso significa que:

  • Quem tem Oi Fibra pode continuar usando o serviço normalmente;
  • A marca Nio Fibra deve começar a aparecer nas faturas, comunicações e canais de atendimento;
  • Não é necessário cancelar o plano — mas vale ficar atento às mudanças contratuais e avisos oficiais.

O fim de uma era

A falência da Oi marca o encerramento de um ciclo histórico. Criada com a promessa de ser a “supertele nacional”, a empresa chegou a atender milhões de brasileiros e era responsável por levar telefonia a regiões onde nenhuma outra operadora chegava.

Mas, após anos de tentativas de reerguimento, a antiga gigante se despede oficialmente do mercado. Um nome que por muito tempo representou o avanço da comunicação no país agora entra para a história como um exemplo de como a má gestão, somada às mudanças rápidas do setor, pode derrubar até as maiores companhias.

Com informações da Agência Brasil e TecMundo.

Naldo Almeida

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