Cachoeira pulsa cultura: festival de dança revela talentos e inspira o cinema no Recôncavo
O Festival Dança Cachoeira segue reafirmando o protagonismo cultural do Recôncavo Baiano ao reunir mais de 40 grupos de diferentes regiões em uma celebração que mistura arte, ancestralidade e diversidade. O evento, que integra o projeto “Cachoeira Pulsa Cultura”, atrai artistas de várias idades e linguagens, consolidando-se como um dos principais encontros culturais da região.
Durante a cobertura da Rádio Sociedade News, a atriz e diretora Verlani Moraes destacou a potência artística do território e a importância do festival para a valorização da cultura local.
“O Recôncavo é um território de mistério, de cultura transcendental, ancestral. E o festival está cada vez mais envolvente. A gente espera por esse momento”, afirmou.
Segundo ela, o evento evidencia uma característica marcante da região: a produção artística que surge de forma espontânea e diversa. “Aqui brotam artistas da terra, em todos os gêneros”, completou.
Cinema do Recôncavo ganha espaço
Além da dança, o audiovisual também aparece como expressão crescente no território. Verlani Moraes revelou que acaba de concluir seu primeiro longa-metragem de ficção, intitulado O Segredo de Cicando, com previsão de lançamento em 2027.
O filme, inspirado em um mito originário da Nigéria, foi adaptado para a realidade contemporânea do Recôncavo Baiano. As gravações aconteceram em cidades como Cachoeira, São Félix e na comunidade do Acupe, reunindo majoritariamente talentos locais.
“Cerca de 80% do elenco é cachoeirano. Foram mais de 130 pessoas envolvidas, entre atores e figurantes”, destacou.
A produção aposta no realismo fantástico e mergulha em elementos de mistério, com gravações realizadas, em sua maioria, no período noturno.
Desafios do cinema independente
Apesar do avanço, a diretora chama atenção para as dificuldades de produzir cinema fora dos grandes centros. O longa teve orçamento de aproximadamente R$ 4 milhões — valor considerado baixo para o gênero — e levou mais de uma década para ser concluído.
“Foram 11 anos da minha vida dedicados a esse filme. Quatro anos de pesquisa e oito anos captando recursos”, contou.
O projeto foi viabilizado por meio de editais públicos, incluindo o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), da Ancine, e a Lei Paulo Gustavo.
Verlani também destacou os desafios adicionais enfrentados por produções realizadas no interior e lideradas por mulheres negras, embora reconheça avanços recentes com políticas de incentivo e ações afirmativas.
Nova geração e inspiração
Ao falar com jovens interessados na área, a diretora reforçou a importância da sensibilidade e da disciplina no processo criativo.
“É preciso manter o coração aquecido, estar aberto ao mundo, às pessoas, às histórias. E ter disciplina, porque o cinema exige organização e é um processo longo”, afirmou.
Cultura que pulsa
O Festival Dança Cachoeira, ao reunir diferentes expressões artísticas, reforça o papel do Recôncavo como um dos principais polos culturais da Bahia. Para artistas como Verlani Moraes, iniciativas como essa não apenas celebram a arte, mas também fortalecem identidades e criam oportunidades para novas narrativas.
A expectativa agora é que produções como O Segredo de Cicando ampliem ainda mais a visibilidade do cinema feito no interior, levando histórias do Recôncavo para o Brasil e o mundo.




