Seis vereadores estão presos na Bahia acusados de fazerem parte de facções, saiba quem são
Por Hely Beltrão
Tem crescido, infelizmente, o número de políticos presos na Bahia por envolvimento com facções criminosas. Nos últimos 8 meses, 6 vereadores foram presos em operações, tanto da Polícia Civil, quanto da Federal. Saiba os nomes abaixo.
Presidente da Câmara de Guaratinga, Paulo Chiclete (PSD)

O presidente da Câmara de Guaratinga, Paulo Chiclete (PSD), foi preso durante a Operação Vento Norte, conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público da Bahia, em 8 de abril, em Guaratinga, no Extremo-Sul baiano.
As investigações apontam que o vereador teria ligação com o chamado Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), grupo associado ao Comando Vermelho (CV). Durante o cumprimento dos mandados, uma pistola calibre .380 foi encontrada na residência do parlamentar.
“Nem Nem de Augusto” (MDB), de Cabaceiras do Paraguaçu

O vereador “Nem Nem de Augusto”, que foi preso em Salvador no dia 15 de fevereiro deste ano ao tentar fugir pelo telhado de uma residência, é suspeito de participação no homicídio de um homem identificado como Josevaldo da Conceição, ocorrido no dia 17 de setembro de 2025, no povoado de Quixabeira, zona rural de Governador Mangabeira.
O inquérito policial também o aponta como liderança de uma organização criminosa com atuação na região, investigada por suposta vinculação a uma dinâmica de homicídios no território. O suspeito também é investigado por autorizar pelo menos mais dois homicídios e por participação em diversos outros crimes, como tráfico de drogas, além de liderar grupo criminoso.
Vereadores envolvidos com o BDM
Em outubro de 2025, no Sul da Bahia, a Operação Frater Dominus revelou um esquema estruturado com atuação em dois estados, ligação direta com facção criminosa e presença de agentes públicos.
A ofensiva foi coordenada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO/Ilhéus), com participação das polícias Civil, Militar, Federal e Penal, além de forças de Sergipe. Mais de 150 policiais participaram da ação.
Foram cumpridos 20 mandados de prisão e 16 de busca e apreensão em cidades da Bahia e de Sergipe. As investigações indicam que o grupo movimentou mais de R$ 20 milhões em atividades ligadas ao tráfico de drogas, armas, homicídios e lavagem de dinheiro.
Segundo a polícia, a organização criminosa tem ligação com o Bonde do Maluco (BDM), uma das principais facções em atuação no estado, com ramificações e alianças interestaduais.
Entre os alvos, estavam dois vereadores:
Em Ubaitaba, George Everton Santana (PCdoB) foi preso em flagrante com R$ 130 mil em espécie. O valor é analisado como possível produto de lavagem de dinheiro.

Em Maraú, Jeazi Assunção, conhecido como “Cara de Nike” (Avante), foi alvo de mandado de busca, dentro do mesmo inquérito.

As investigações apontam que o grupo possuía estrutura hierarquizada, com divisão de funções e participação de agentes públicos apontados como facilitadores do esquema criminoso.
Esquema bilionário e núcleo político
A Operação Anátema revelou um dos cenários mais complexos já investigados no estado, com movimentação estimada em mais de R$ 4,3 bilhões e atuação direta de uma estrutura ligada ao crime organizado.
De acordo com a Polícia Civil, o grupo criminoso tem ligação com o Bonde do Maluco (BDM), facção baiana que mantém conexão com o Primeiro Comando da Capital (PCC), ampliando sua atuação para além do estado e consolidando uma rede interestadual de tráfico de drogas, armas e lavagem de dinheiro.
As investigações apontam que essa associação entre facções fortalece a capacidade operacional do grupo, com divisão de territórios, compartilhamento de rotas e suporte logístico entre organizações criminosas.
Coordenada pelo Departamento de Repressão ao Crime Organizado (Draco), a operação identificou uma estrutura dividida em três núcleos:
Operacional, responsável pelo tráfico de drogas, armas e execução de crimes violentos;
Financeiro, voltado à lavagem de capitais por meio de empresas de fachada;
Político, formado por agentes e lideranças com influência institucional, responsáveis por facilitar a atuação da organização e ampliar sua proteção.
Entre os alvos desse núcleo político estão:


O vereador Ailton Leal (PT), de Santo Estevão, foi preso em setembro de 2025, sob suspeita de utilizar um posto de combustíveis como instrumento de lavagem de dinheiro para a organização criminosa ligada ao BDM. No local, foram apreendidos valores em espécie, cheques, contratos e identificados indícios de sonegação fiscal.
O vereador Marcão do Pipa (PSB), de Jaguarari, inicialmente alvo de busca e apreensão, acabou sendo preso em dezembro de 2025, durante a segunda fase da operação. Ele é investigado por integrar um braço do esquema responsável por movimentações financeiras ilícitas destinadas à facção.
Segundo a polícia, o envolvimento de agentes políticos nesse tipo de estrutura evidencia um nível mais sofisticado de infiltração do crime organizado, em que o poder público passa a ser utilizado como suporte estratégico para atividades ilegais.




