“Que Deus o tenham em um bom lugar”, relata feirense que jogou com Oscar Schmidt
O ex-jogador de basquete Oscar Schmidt morreu nesta sexta-feira (17), aos 68 anos, em Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo, após passar mal em sua casa.
Ele foi levado ao Hospital e Maternidade Municipal Santa Ana (HMSA), próximo de onde morava, em Alphaville. Segundo a Prefeitura de Santana de Parnaíba, “foi encaminhado ao hospital pelo serviço de resgate, já em parada cardiorrespiratória (PCR), chegando à unidade sem vida”. A causa da morte não foi divulgada. Em nota, a família de Oscar lamentou a morte e lembrou sua trajetória. O velório e o enterro serão restritos à família e amigos. Oscar deixa a esposa e dois filhos.
Um pouco da história deste grande ícone do esporte brasileiro também passa por Feira de Santana, através de Kleber Costa Vitório, mais conhecido como DJ Klebão, que jogou com Oscar em sua juventude e tem muita história para contar aos leitores do Conectado News.

“Ele é uma pessoa muito generosa, certa vez, jogando pelo Minas Tênis Clube, me deu uma gripe danada na Seleção Brasileira no Ibirapuera, ele foi o único que me pegou de carro junto com a noiva e me levou para tomar medicação, sempre assim, gentil, me chamando sempre de baianinho, uma pessoa maravilhosa, estou muito sentido com a perda dele, jogamos em Guayaquil, no Equador, Campeonato Sul-Americano, fomos campeões juntos, é uma perda irreparável, uma pessoa maravilhosa, um campeão”.
Por quanto tempo conviveu com ele?

“Foram mais de 10 anos, eu jogava no Monte Livre e ele no Sírio, sempre jogamos contra, ele foi para a Itália, eu também, fui para o Minas Tênis Clube e voltei para o Rio Claro/SP, dos meus filhos, a menina é de Rio Claro, Clebinho é de Campinas/SP, sempre jogando contra e também ao lado dele, sempre me espelhando e me dando um conselho. Certa vez ele me disse: “se você não arremessa, tem 100% de erro, se arremessa, tem 50% de erro e 50% de acerto, tem que tentar”. Fiquei muito sentido com sua morte e também com a de Marquinhos Abdalla, pivô do Sírio da época de Oscar, tinha 73 anos, faleceu recentemente, todos eles maravilhosos, jogaram comigo, fiquei triste em ver as pessoas sendo chamadas por Deus, mas, é o lugar de todos nós.
O que ele representa?
“Para mim, ele levou o nome, Oscar tem mão gravada na Calçada da Fama, ele representa muito basquete brasileiro, foi considerado um dos melhores do Brasil e foi chamado para jogar no profissional, mas ele é tão patriota que não aceitou ficar lá, porque seria mais um, aqui ele é Oscar Schmidt, que levou o nome do Brasil mundo a fora”.
Como o conheceu?
“Não sabia nem o que era basquete, fui passando na rua de bicicleta, todo acanhado, com vergonha, quando um técnico me achou na rua e me perguntou se queria jogar basquete. Respondi: “Não sei nem o que é isso, meu pai não não tem condições de arcar”. Ele me disse: “É um aro, tem uns cordões debaixo”. Comecei a jogar, e ele me mandou para São Paulo, o Palmeiras e o Corinthians queria minha aquisição. Pensei: “quem chegar primeiro vou, o Corinthians veio me buscar. As coisas antigamente eram muito mais difíceis, não tinha essa abertura, mas, graças a Deus fui, a casa que tenho hoje foi com dinheiro do basquete, fiz meu pé de meia, hoje tenho meus negócios, criei meus meninos estudando em escolas particulares, dei tudo de bom para eles, mantenho a minha vida hoje fazendo móveis inteligentes e sendo DJ, estou prestes a me aposentar, por enquanto estou levando a vida desse jeito”.
Carreira
“Joguei fora do país também, Uruguai, Argentina, México, Itália, Kuwait, conheci os Estados Unidos, joguei com Adilson, aquele do Black Power, que faleceu há 3 anos, conheci a Grécia,tudo isso através do basquete, porque se dependesse do meu pai, nem para Humildes iria, pois não tinha dinheiro para nada, seria caixa de supermercado ou vender picolé ou estudar, porque não tinha como sobreviver direito, mas Deus botou no meu caminho Nelson Nascimento dos Santos, professor e árbitro de basquete em Salvador, que me encaminhou para essa vida e só tenho a agradecer”.
“Só resta agora a saudade, que Deus o coloque em um bom lugar”.




