Feira de Santana

Feira de Santana avança como polo da mobilidade elétrica e atrai empresários pelo fator econômico

Feira de Santana vem se consolidando como um dos principais polos da mobilidade elétrica na Bahia, impulsionada pelo crescimento acelerado da frota de veículos eletrificados e pela ampliação da rede de recarga. O município já ocupa posição estratégica no estado e passa a ser visto como referência regional em inovação no setor.

Em entrevista ao Conectado News, o empresário Rafael Silva de Souza, da Eletricar, destacou que a cidade está na vanguarda desse movimento há cerca de dois anos. Segundo ele, a empresa lidera o segmento na Bahia e ocupa a segunda posição no Nordeste, sendo responsável por aproximadamente 80% dos pontos de recarga em Salvador. A atuação da Eletricar já ultrapassa as fronteiras baianas, com presença em Pernambuco e Sergipe, além de projetos de expansão para estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Um dos diferenciais apontados é o desenvolvimento de tecnologia própria, que inclui desde os carregadores até o aplicativo que gerencia toda a rede.

Atualmente, a Bahia possui cerca de 22 mil veículos eletrificados, sendo quase 2 mil em Feira de Santana. Desse total, uma parcela significativa corresponde a veículos 100% elétricos, além dos híbridos plug-in, evidenciando o avanço gradual da eletrificação no estado.

O modelo de recarga rápida oferecido pelas estações atende principalmente motoristas em trânsito, embora a maior parte dos usuários ainda opte por carregar os veículos em casa. Apenas cerca de 20% das recargas são feitas em eletropostos públicos. O tempo médio de abastecimento varia entre 20 e 40 minutos, dependendo da capacidade da bateria e da potência do carregador.

A economia é um dos principais fatores que impulsionam a adesão. De acordo com Rafael, o custo pode ser até 80% menor em comparação com veículos a combustão. Além disso, há incentivos fiscais, como a isenção de IPVA para carros 100% elétricos na Bahia, e uma redução significativa nos custos de manutenção. A empresa também adota um sistema de tarifa dinâmica: durante a madrugada, entre meia-noite e seis da manhã, o custo da recarga pode ser ainda mais baixo que o residencial, enquanto nos horários de pico, especialmente entre 18h e 21h, o valor da energia sobe, levando muitos usuários a evitarem esse período.

Para o engenheiro elétrico Jonatas Guedes, a viabilidade do carro elétrico depende do perfil de uso. Segundo ele, para deslocamentos urbanos o modelo é altamente vantajoso, mas para longas distâncias ainda existem limitações relacionadas à infraestrutura de recarga, apesar dos avanços recentes. Ele ressalta que o planejamento é essencial em trajetos intermunicipais, como entre Feira de Santana e Salvador, onde a autonomia de alguns veículos exige atenção.

Foto: Luiz Santos

Em termos de custo por quilômetro, a diferença é expressiva. Enquanto um veículo a gasolina pode chegar a cerca de R$ 0,64 por quilômetro rodado, um carro elétrico recarregado em casa pode reduzir esse valor para aproximadamente R$ 0,15. Mesmo em eletropostos, o custo médio ainda representa cerca da metade do gasto com combustíveis fósseis.

Outro ponto de atenção é o valor da bateria, que pode representar até 70% do preço do veículo. Apesar disso, especialistas destacam a longa vida útil, estimada entre 5 mil e 6 mil ciclos de carga, além de alternativas de reaproveitamento, como o uso em sistemas residenciais de energia. Os veículos também contam com sistemas que informam com precisão o nível de carga e a autonomia restante, incluindo reservas de segurança para evitar que o motorista fique sem energia.

Na prática, a economia tem sido determinante para a adesão. O empresário Pablo Muricy decidiu substituir gradualmente a frota da sua empresa por veículos elétricos. Segundo ele, a decisão foi essencialmente financeira, mas acabou trazendo benefícios adicionais, como maior conforto e redução de impactos ambientais.

De acordo com o empresário Pablo Murici, cada veículo a combustão gerava um custo mensal de cerca de R$ 1.200 em combustível. Com a migração para modelos elétricos, esse gasto praticamente foi eliminado, já que a empresa utiliza energia solar própria para abastecimento. Os custos de manutenção também caíram de forma significativa: enquanto uma revisão de veículos tradicionais pode ultrapassar R$ 2 mil, nos elétricos gira em torno de R$ 400.

FOto: Onildo Rodrigues

Atualmente, toda a recarga da frota é feita na própria empresa, que investiu em usinas solares e infraestrutura de carregamento, incluindo sistemas que controlam a demanda para evitar sobrecarga na rede elétrica. Apesar dos benefícios, ele aponta desafios, especialmente relacionados à autonomia e à necessidade de estrutura adequada. Por isso, ainda mantém alguns veículos a combustão para viagens mais longas e demandas emergenciais.

Foto: Onildo Rodrigues

Mesmo com o investimento inicial mais elevado, o retorno financeiro tende a ocorrer no médio prazo. Segundo o empresário, considerando a economia com combustível, manutenção e a isenção de IPVA por cinco anos, o veículo pode praticamente se pagar em um período entre seis e sete anos.

A experiência de usuários individuais também reforça esse cenário. O empresário Duarte Silva, proprietário de um carro 100% elétrico há cerca de um ano, relata alto nível de satisfação e destaca o baixo custo operacional como principal diferencial. “Hoje é uma tecnologia que permite rodar com um custo muito baixo. Com energia solar em casa, consigo autonomia média de 330 quilômetros com uma carga”, afirma.

Foto: Luiz Santos

Segundo Duarte, o veículo é utilizado diariamente para trabalho, o que exige entre três e quatro recargas por semana, dependendo da demanda. Ele alterna entre o carregamento residencial e o uso de eletropostos, principalmente em situações de necessidade. “Em um carregador rápido, consigo carregar o carro em cerca de 50 minutos. Já em casa, esse tempo varia entre quatro e seis horas”, explica.

O custo também chama atenção. De acordo com ele, uma recarga completa em eletropostos pode custar, em média, R$ 60, com cobrança baseada no consumo em kWh. Todo o processo é feito por aplicativo, sem necessidade de atendimento presencial. “Você chega, escaneia o QR Code, faz o pagamento e pronto. É tudo automatizado”, relata.

Foto: Luiz Santos

Duarte também destaca a importância de manter o nível de carga dentro de uma faixa ideal. “O fabricante recomenda manter entre 20% e 80%, porque isso otimiza o tempo de recarga. Se deixar descarregar demais, o carregamento demora mais”, orienta.

Ao comparar com veículos híbridos e a combustão, ele afirma que a escolha pelo modelo 100% elétrico foi motivada pela busca por maior eficiência e redução de custos. “No híbrido, ainda há gastos com manutenção e IPVA. No elétrico, o retorno é mais rápido, principalmente para quem usa muito o carro”, pontua.

Cominformações: Onildo Rodrigues e Luiz Santos

Por: Mayara Nailanne

Mayara Nayllanne

About Author

Leave a comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

You may also like

Foto: DIvulgação
Feira de Santana

Professor da Estadual é investigado por suspeita de assédio sexual contra aluna de 14 anos

Um professor lotado na seção que atende crianças e adolescentes neurodivergentes ou com necessidades especiais da Colégio Estadual Georgina de
Feira de Santana

“Não há elementos que justifiquem a manutenção do flagrante”, diz presidente do sindicato da PRF, sobre soltura de inspetora acusada de injúria racial

Crédito da Imagem: Onildo Rodrigues Por Hely Beltrão A inspetora da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Michele Alencar, 44 anos, presa em