Feira de Santana

Professora denuncia racismo institucional e falhas no atendimento do INSS em Feira de Santana

Foto: Divulgação

Por: Mayara Nailanne

Moradores da zona rural de municípios do interior da Bahia enfrentam dificuldades para realizar perícias e outros atendimentos do INSS em Feira de Santana. A denúncia é da professora Maria Izabel Santos, que afirma ter presenciado situações de desorganização, tratamento desigual e racismo institucional dentro da unidade.

Segundo a professora, o Instituto Nacional do Seguro Social tem agendado atendimentos de pessoas que vivem a mais de 100 quilômetros de distância para serem realizados em Feira de Santana, inclusive casos de prova de vida e, principalmente, perícia médica.

“Estou acompanhando duas pessoas de uma comunidade de fundo de pasto, no município de Monte Santo. A comunidade é mais próxima de Uauá do que da sede de Monte Santo, mas o atendimento foi marcado aqui em Feira de Santana. É muito longe, são quase 100 quilômetros ou mais”, relatou.

Denúncia de tratamento desigual

Maria Izabel contou que acompanhava uma pessoa com deficiência para realização de perícia médica quando, segundo ela, foi impedida de entrar na unidade.

De acordo com a professora, enquanto ela foi barrada sob a justificativa de que já havia um acompanhante autorizado, outra paciente cadeirante teria entrado com três acompanhantes, mesmo sem agendamento prévio.

“Eu não pude entrar porque disseram que já tinha um acompanhante. Mas outra pessoa entrou com três acompanhantes e foi atendida primeiro. Eu me senti discriminada. Sofri racismo institucional aqui dentro”, afirmou.

A professora destacou ainda que o porteiro, funcionário de empresa terceirizada, teria adotado critérios diferentes para situações semelhantes, o que, na avaliação dela, caracteriza tratamento desigual.

Criança autista e demora no atendimento

Outro episódio relatado envolve uma criança autista que aguardava atendimento para perícia médica. Segundo Maria Izabel, cada pessoa dentro do espectro autista possui especificidades e, naquele caso, a criança apresentava dificuldade de permanecer em ambiente fechado.

“A criança estava chorando, não queria ficar ali, mas precisava fazer a perícia. A demora no atendimento agravou ainda mais a situação”, contou.

Para a professora, é preciso discutir a forma como os atendimentos estão sendo organizados e, principalmente, garantir respeito às pessoas com deficiência, moradores da zona rural e acompanhantes.

“São questões que a sociedade precisa debater e apoiar. Sobretudo o racismo que eu sofri aqui dentro. Não é apenas sobre mim, é sobre como as pessoas estão sendo tratadas”, declarou.

A reportagem deixa espaço aberto para que o INSS se manifeste sobre as denúncias e esclareça os critérios de agendamento, organização de acompanhantes e atendimento prioritário na unidade de Feira de Santana.

RESPOSTA DO INSS

Procurado pela reportagem do Conectado News, o gerente administrativo Fernando Nunes de Oliveira esclarece que a denunciante pode formalizar a denúncia pelos canais competentes, para que o caso seja devidamente apurado.

Ressalta ainda que a instituição não tolera qualquer tipo de discriminação e reafirma seu compromisso com o respeito, a ética e o cumprimento da legislação vigente.

Mayara Nayllanne

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