Incomodado que se mude
Por: Luiz Santos
Vários ditados poderiam se aplicar ao atual senador da República Ângelo Coronel (PSD-BA), ao sair do partido em que está e romper com o grupo político pelo qual foi eleito presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA). Em seguida, com o apoio do mesmo grupo foi levado ao senado federal, sendo eleito em 2018, senador ao lado do cacique do PT no estado Jaques Wagner.
Diferente de Coronel, à época, a senadora Lidice da Mata (PSB) reclamou, mas depois engoliu seco e abriu mão da vaga e voltou à Câmara Federal onde está até hoje. Já Ângelo Coronel deu uma de menino malcriado, esperneou, se jogou pelo chão e saiu resmungando, reclamando e foi em busca de um novo abrigo, como anunciou neste sábado 31,tendo achado apoio na casa do adversário, o que já era esperado.
Leia também: Jerônimo Rodrigues se manifesta sobre saída de Angelo Coronel da base; confira
Senador Angelo Coronel anuncia saída do PSD na Bahia: ‘Não nasci pra ser capacho’
Coronel é convidado a se filiar ao União Brasil
Sim. A saída de Coronel já era esperada assim como aconteceu com o ex-vice governador João Leão (PP) em 2022, que também saiu do grupo reclamando, ensaiou candidatura ao Senado e depois desistiu. Leão conseguiu a duras penas se eleger deputado federal, mas sem expressão política.
Como diz o ditado: “os incomodados que se mudem”, o senador Ângelo Coronel, ao que parece, seguiu ao pé da letra e mudou-se. Para alguns petistas ele “já vai tarde”, pois dizem que ele “não inspirava confiança da maioria do grupo, comia em duas mesas: do governo e da oposição”, sendo esse um dos motivos da turma governista não fazer muita questão da permanência de Coronel na situação.
Se Coronel fez certo ou errado com essa mudança de partido e de grupo, só o eleitor poderá julgar nas próximas eleições em outubro, reelegendo-o ou reprovando-o. Fato é que Coronel vai entrar para a história da política baiana caso consiga a proeza de se reeleger, assim vão dizer que ele estava certo em romper com o grupo.
Caso contrário, ou seja, Coronel não se reelegendo, vão atirar pedras e chamá-lo de Judas. Em outras palavras, além de traidor ainda vão comemorar a sua derrota, mesmo que Coronel já tenha entrado para a história política baiana como ‘menino rebelde’.



